Arte? – Part. 1

The Creation of Adam. Michelangelo. 1508-1512 (detalhe)
Algumas semanas atrás em um trabalho para o site Zona da Arte, que também trata sobre o tema cultura. Nosso amigo Márcio "Lázaro" Henrique foi às ruas entrevistar pessoas para saber qual o significado de arte para elas.
Entrevistadas uma série de pessoas, cada uma trouxe uma síntese diferente do que pensava sobre o tema. Coisas que vinham à cabeça e o que gostavam que envolvia arte, entre outras surpresas, foram ouvidas.
Mas duas opiniões, se destacaram. Uma do senhor Bronuslaw Tondowski, sim ele nasceu na Rússia, disse que encarava o Xadrez como arte, não sabemos o que você pensa sobre o "esporte", mas para ele o Xadrez mexe com o emocional, com o feeling e com a inteligência. E que essas são qualidades que atribuem o status arte.
Outro depoimento interessante sobre o conceito de arte foi o de uma menina chamada Carol. Para ela a religião não é, mas tem arte. Ambas podem seguir em comunhão, ou seja, o sagrado e o profano (a arte é profana?) de mãos dadas.
A arte pode incorporar aspectos distintos em pessoas que a absorveram de formas mais distintas ainda. Seja por terem estudado sobre, terem escutado sobre ou até por senso comum, o conceito está presente em todo mundo.
Uma jogada excepcional no xadrez, como citado, um belo gol da nossa seleção, convencer pessoas apenas com um discurso bem ensaiado, um poema que segue sua métrica, uma cirurgia que salva uma vida. Podemos relacionar tudo isso de alguma forma com o conceito arte?
Mas o que a arte é realmente?
Arte (Latim Ars, significando técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência em um ou mais espectadores. (fonte:wikipedia)
Temos o vício de apenas considerarmos arte movimentos artísticos como o Modernismo, o Impressionismo, o Cubismo e tantos outros ismos relacionados à pintura. Estes de grande valor econômico (hoje) quanto de valor acadêmico (sempre).
Mas além dessa contruibuição artística, sabemos bem que o leque artístico é muito maior, pois se pegarmos a definição acadêmica de arte, como vimos, tudo o que nos incita às emoções conscientemente e com alguma proposta, é arte. Dança, música, fotografia, poesia, teatro...e tantos outros substantivos e suas vertentes e subversões que poderíamos nós mesmos criar novas interpretações e conceitos.
A arte pode ser infinita.
Pode?
E você? Também acha que o conceito de arte é amplo assim???
Por Márcio "Lázaro" Henrique e Lucas Röttgering
Batepapo – TALITA ALVES

Talita Alves
O NaDiagonal bateu um papo com a simpática Talita Alves, que, para quem não conhece, despontou com a nervosa (no bom sentido da palavra) banda MOTORES, no programa Rally MTV, projeto da MTVLA e MTV TR3S, de onde saíram vitoriosos.
No batepapo falamos sobre o fim da MOTORES, de seu novo projeto que promete reiventar a Talita de hoje, também entramos no assunto da cena Latino-Americana e como é o envolvimento com as bandas fora do país e sobre integração entre os movimentos artísticos que estão por ai, abaixo segue a entrevista:
A banda
Nadiagonal - Sabemos que a Motores acabou, como foi pra você, depois tanto tempo de convivência?
Talita Alves - No início fiquei um pouco triste, afinal temos amor por este trabalho! Tomamos uma decisão em conjunto, pois cada um estava com projetos paralelos a um tempo. O importante é que a amizade continua e Motores continuará vivo, na nossa história, sempre!
ND - Como foi tocar fora do país, pra outras culturas e publico? Eles são mais exigentes? Como receberam a musica de vocês?
Talita - Foi muito foda! Argentina foi uma experiência incrível. No começo eles estranharam, depois entraram no clima, polgaram e quando cantei em espanhol, aí foi demais!!!
ND - A cena independente latino americana você enxergou como?
Talita - Eles são mais organizados, acho que valorizam mais. O espaço é muito maior e você pode viver disso!
ND - integração de bandas existe lá fora? E com bandas de outros paises há algum preconceito?
Talita - Sim, existe. Preconceito musical, acho que não. O que rola é um pouco de preconceito pessoal, o clássico Brasil X Argentina.rs.
ND - E por aqui, quais foram os desafios mais marcantes?
Talita - Conseguir espaço, com certeza! Mas com a internet e redes de relacionamento é possível driblar isso, que foi o nosso caso. Motores acabou, mas a história e os fans estarão sempre presentes. Tenho muito carinho por todos eles, que sempre apoiaram e nos acompanharam.
A Talita
ND - E seu novo projeto? O que você está trazendo pra nós agora?
Talita - Meu novo projeto começou de um jeito e agora está tomando outra direção, o que me anima muito! Já tenho algumas músicas prontas que fiz em parceria com o Mauro Motoki (Ludov) e posso dizer que é diferente. O Miranda define como Indie, rs. Continuarei gravando, estou fazendo aos poucos sem pressa, vou ao RJ esporádicamente aos finais de semana gravar com o maravilhoso Chico Neves, sou fã dele!
ND - O que você pode falar sobre suas inspirações?
Talita - Nestas composições, falo do que estou sentindo, do que passei, é um trabalho mais pessoal. Me inspiro em algumas cantoras como a Karen O , Ida Maria, Feist. Estou em uma fase onde volto toda a atenção para mim, quero me conhecer mais, quero mudar, estou trocando de pele.
ND - Você tem alguma atividade ou quem sabe um projeto paralelo que não conhecemos ainda?
Talita - Tenho uma produtora de vídeo com mais dois sócios, Avallon Media. Trabalho com novos negócios. Apresento alguns vídeos para web, mas a música é minha vida, esta é minha prioridade, continuar gravando e poder tocar logo por aí.
Na diagonal
ND - Como é seu envolvimento com a arte e a cena independente?
Talita - Amo música, grafite, moda, cinema, animação, livros, pinturas, sempre estou buscando outras formas de inspiração. A cena independente é importantíssima e tem muita coisa boa, muita mesmo! Adoro descobrir bandas novas, escritores novos, assitir curtas e produções independentes, alimenta a alma.
ND - Você acha que na cena independente existe mainstream?
Talita - Acho que não existe mais mainstream. O mercado é outro, quase todos que vivem disso hoje, saíram da cena independente, da internet, do festival, ralaram.
ND - Qual a postura que um artista mais conceituado poderia ter com quem está começando? Essa relação você considera saudável para ambos?
Talita - Dando oportunidade, não existe competição, uma cena musical forte é uma cena unida!
ND - Como você vê a relação da musica com os demais movimentos artísticos, como artes plásticas, teatro, literatura etc..Acha que precisa haver mais integração?
Talita - Acredito que isso já aconteça. Fui a festivais com grafiteiros, no cinema e teatro isso já existe a anos, na moda sempre esteve. Não dá pra separar música de nada!
ND - Como você acha que seu trabalho pode influenciar em outros movimentos artísticos e vice-versa?
Talita - Como forma de inspiração!
ND - Quem você indica para ouvir, ler, ver e quem você acha que podemos ficar de olho por que dali vai sair coisa boa? comente um pouco de cada.
Talita - Para ouvir, Cachorro Grande, adoro! Para ler Mate-me, por favor! Um clássico. Para ver, 2012 e ficar de olho, Ida Maria.
Rapidinhas.
Quais foram suas 3 últimas “twitadas”?
- Pra quem não ouviu, ouve aí
- Já ouviram Dead Disco? Sensacional!!!!
- ops! ENTERLUDE- the killers...piano lindo!
3 momentos:
O nascimento da minha filha, a vitória no Rally e Minha primeira viagem fora do Brasil com 18 anos
Um antes:
Vinho
Um durante:
Bom papo
Um depois:
Boa música
E pra fechar a frase:
“Nos vemos no próximo... ” : ano!
Para a companhar a Talita:
Myspace: myspace.com/talitarock e no twitter: @talitarock
E aguardem novas entrevistas em breve.
By Lucas Rottgering
A Casa dos artistas…de verdade!
Centro de São Paulo, mais precisamente na afamada Av. São João, local de encontros, desencontros e por que não, perseguições. Cenário para trilhas sonoras e poemas, agora, podemos incluir ai também um lugar para falar de arte.
Mais precisamente no número 288 da Av. São João, no centro de São Paulo, a Redbull adentrou pelos corredores e salas de um velho hotel construído em 1918, o Hotel Central, obra de Ramos de Azevedo. Lá instalou sua House of Art, com artistas de diversas nacionalidades apresentando seu repertório selecionado por Lucas Bambozzi e Maria Montero. São dois andares ocupados.
Logo que chegamos à recepção somos informados de que bolsas e mochilas não entram, mas câmeras e celulares são bem vindos! Mas não seguimos em frente, a exposição começa no salão ao lado, e vamos nós.
O primeiro andar, o de maior impacto visual, ocupa uma grande sala onde as 4 paredes estão ocupadas com grandes painéis e grafismos, inclusive uma instalação de vídeo e uma tevê onde pôde ser visto o making of de uma obra que você só verá no segundo andar. Logo que continuamos chegamos a um novo cômodo, esse, pequeno e ladrilhado, lembram o banheiro e também cenário principal do primeiro filme de “jogos mortais”. O clima é o mesmo. Mas ali as paredes estão todas preenchidas por textos e mensagens e os materiais utilizados para escrever, jogados ao chão, no centro uma “cabana” feita de materiais diversos com uma bandeira em cima, marca o território do artista. Aqui você pode ver o flickr com fotos.
Fim do primeiro andar.
Voltamos à recepção e então subimos a pequena escadaria que dá acesso ao segundo andar, abre parênteses, no caminho há um grande painel todo resenhado com giz, frases, mensagens e declarações, de curadoria para público, artista para curadoria, público pra artista e assim vai, arrisque seu giz, que são oferecidos em copinhos de plástico debaixo do painel, fecha parênteses. Chegando ao segundo andar temos um mapa com a localização das salas ocupadas onde poderemos desfrutar de mais criações. Há também um lounge comum e sociável, e salas onde os artistas desenvolvem suas peças e workshops.
Por detrás de uma cortina branca temos a primeira das 2 salas disponíveis quando entramos. Nela apenas uma pia, uma janela e almofadas no centro rodeado de um visível sistema de home teather que envolve a sala com uma áudio instalação, a mesma que, no primeiro andar pudemos assistir ao making of. Durante uma hora pode se ouvir o clima e deitado nas almofadas, facilmente você pode se deixar levar e só sair de lá quando a sua consciência voltar, ou não agüentar mais o calor da sala, propósito da obra possivelmente? Ficou bem interessante!
Seguindo o corredor, uma nova cortina, preta, que nos serve de porta para a segunda sala, escura, o oposto da anterior, inclusive pelo clima, aqui o ventilador está ótimo. De frente ao fundo da sala, pedaços geométricos estão pendurados como móbiles, se sobrepondo uns aos outros por toda a parede, na altura dos olhos. Neles esta sendo projetado um vídeo, e um fragmentado passeio turístico pode ser acompanhado, com visão lateral.
Fim do segundo andar.
Fim da Redbull House of Art para nós, por enquanto, a próxima incursão será à partir do dia 05 de Dezembro quando entrará novamente em cartaz.
Com um conceito e uma proposta bem interessantes no Brasil, sendo o primeiro país a ser apresentado o projeto, e o deleite de conhecer um hotel clássico vestido com obras contemporâneas são, no mínimo, uma ótima experiência!
By Lucas Röttgering