Na Diagonal
1fev/103

FESTAZUL – Sábado 06 fev 2010

Flyer do evento - clique para vizualizar corretamente
Flyer do evento - clique para vizualizar corretamente

 

O projeto NADIAGONAL vai fazer uma homenagem ou, na verdade, uma desconstrução da cor Azul.

Nunca haviamos pensado em colocar um tema tão subjetivo em prática, afinal uma cor como tema, personagem e por que não autor, que não se via desde Flicts do Ziraldo. (será?)
 
O Mancha nos deu essa oportunidade de trabalhar o tema em sua casa, local de festas ótimas e bem frequentado, um espaço perfeito para realizar nossa "FESTAZUL".
 
Sobre a cor azul podemos dizer que ela está ligada a coisas como tranquilidade, leveza e serenidade.
Mas isso, de repente, não é uma regra, cada um tem sua impressão.
 
Agora, todas essas impressões vão estar sobre o olhar da arte, ao vivo!
 
O que um fotógrafo acha do Azul?
O que um artista plástico acha do Azul?
O que uma banda acha do Azul?
O que um sarau pode tratar sobre o Azul?
O que você pensa sobre essa o Azul?
 
Então, esperamos sua presença!!!
Se forem com alguma peça de roupa azul
Ela agradece!
 
um grande abraço.
 
Local:  Casa do Mancha – Rua Filipe de Alcova, s/n, SP, São Paulo
Entrada: R$7,00

Horário: 17h

Travessa da Fradique Coutinho entre a Wisard e a Aspicuelta. Toque a campainha do portão grafitado.

 
7jan/1016

Tradicional post de ano novo

Para abrir o Ano de 2010, projeto "Na Diagonal" começa com uma crônica de uma das pessoas do projeto, um dos seus colaboradores, na verdade ele apenas participou com um vídeo em um dos nossos eventos.Seria muito normal começar o ano dando as boas vindas, desejando bons frutos, resolvemos começar de uma maneira diferente.

A "história" aqui é de um membro do projeto que viveu o seu "Ano Novo" e que nada mais justo do que vocês vivenciarem esse "Ano Novo".

enjoy! 

 opafinal

 Opa...

 

Oi gente!

Ao ser convidado por um cara, que é do todo meu agrado e que por sinal, é nada menos que o idealizador desse “motim”. Dispus-me a dar a cara pra bater e, de algum modo, dividir tal responsabilidade com todos os que freqüentam essa casa de debate e discussão.

Pensei até que não me haveria assunto o bastante, que fizesse valer o tempo precioso dos que venham, ocasionalmente fuçar na página desse projeto promissor: O "Na Diagonal"

Contudo, me passa pela cabeça a tarefa de (re) contar e reavivar nossa cerimônia “ecumênica” de réveillon – já que cada um tem mesmo uma concepção quase religiosa, do modo que lhe cabe, quanto à pretensão das atividades a serem postas em prática , mesmo que nem todos compartilhem do mesmo vício.

Mas isso é outra coisa! Acontece que, apesar da insistente tentativa – culpa de alguns deslizes orçamentários, incluindo a incessante garoa -, depois de duas horas, finalmente, acendemos a bendita churrasqueira “lunar”. Coisa que se repete uma vez a cada ano, se é que me entendem. De qualquer forma, exceto pelos desfalques, nada improváveis, pudemos uma vez mais seguir adiante com a profana comemoração - coisa que tende a se concretizar como tal, à medida que o álcool vai se sentindo cada vez mais a vontade, na cabeça e nos passos dos “contribuintes” -, salvo a musicalidade. Nem só de cana vive o país! Vale ressaltar o desempenho equivocado, mas bem intencionado, dos poucos que se arriscavam num dos três violões presentes no recinto, os quais clamavam por sossego ou um mínimo de afinação possível.E como diz o saudoso ditado: “Violão de bêbado não tem dono!”.  No decorrer da noite para o dia as coisas necessariamente iam tomando rumos triviais, de modo que, num dado momento, Rodrigo Amarante me liga ao celular, recorrendo royalties de uma desconstrução melódica que acidentalmente nascera no momento em cada um buscava, por si só, destacar-se no coro de gato pingado.

Crueldade seria desmerecer o trabalho de improviso que os atores ou não subitamente punham em prática, como uma atividade recreativa ou de interação, o que prendera de fato a atenção da galera – sedenta por alguma diversão a complementar o kit: churrasco com cachaça e... Por incrível que pareça, essa crônica não discorre crítica, nem suscita indagações, já que quem vos “fala” se manteve assíduo opcionalmente a churrasqueira “lunar”, no intuito prioritário de dar cabo ao apetite da rapaziada, os quais se mostravam não somente saciados, mas privilegiados em degustar tal lingüiça sabor frango e vice-versa.

Divertido mesmo é descobrir, em forma de repreensão, do solitário frentista de um desabitado posto de gasolina – à uma hora da tão esperada apoteose.E que algumas ruas logo acima colaborar a um ato que não se deve acender nunca uma churrasqueira com gasolina aditivada, a não ser que se pretenda comer todo mundo no espeto.Mas é um ano novo, né?

 Ia me esquecendo de comentar sobre a batida de pêssego em caldas, tão saborosa quanto o cuscuz da mãe do anfitrião, ou ainda, o bolo de chocolate da mocinha que se apropriou da receita de sua avó italiana (imagino). Bom, pra quem abriu mão de tal empreitada e viajou pra longe, convicto de ser uma boa escolha – essa coisa chique de último capítulo de novela da Globo -, meus pêsames, pois, sem dúvida, não sabe ainda o que é diversão.

Quer coisa melhor do que ter uma casa com churrasqueira e geladeira abarrotada de cachaça toda a sua disposição, onde reunir coleguinhas tão estranhos quanto teu próprio irmão e ainda chapar até as 06:00? Eu não! 

 by Bonifácio

17dez/090

Arte? – Part. 1

The Creation of Adam. Michelangelo. 1508-1512 (detalhe)

The Creation of Adam. Michelangelo. 1508-1512 (detalhe)

 

Algumas semanas atrás em um trabalho para o site Zona da Arte, que também trata sobre o tema cultura. Nosso amigo Márcio "Lázaro" Henrique foi às ruas entrevistar pessoas para saber qual o significado de arte para elas.

Entrevistadas uma série de pessoas, cada uma trouxe uma síntese diferente do que pensava sobre o tema. Coisas que vinham à cabeça e o que gostavam que envolvia arte, entre outras surpresas, foram ouvidas.

Mas duas opiniões, se destacaram. Uma do senhor Bronuslaw Tondowski, sim ele nasceu na Rússia, disse que encarava o Xadrez como arte, não sabemos o que você pensa sobre o "esporte", mas para ele o Xadrez mexe com o emocional, com o feeling e com a inteligência. E que essas são qualidades que atribuem o status arte

Outro depoimento interessante sobre o conceito de arte foi o de uma menina chamada Carol. Para ela a religião não é, mas tem arte. Ambas podem seguir em comunhão, ou seja, o sagrado e o profano (a arte é profana?) de mãos dadas.

A arte pode incorporar aspectos distintos em pessoas que a absorveram de formas mais distintas ainda. Seja por terem estudado sobre, terem escutado sobre ou até por senso comum, o conceito está presente em todo mundo.

Uma jogada excepcional no xadrez, como citado, um belo gol da nossa seleção, convencer pessoas apenas com um discurso bem ensaiado, um poema que segue sua métrica, uma cirurgia que salva uma vida. Podemos relacionar tudo isso de alguma forma com o conceito arte?

Mas o que a arte é realmente? 

Arte (Latim Ars, significando técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência em um ou mais espectadores. (fonte:wikipedia)

Temos o vício de apenas considerarmos arte  movimentos artísticos como o Modernismo, o Impressionismo, o Cubismo e tantos outros ismos relacionados à pintura. Estes de grande valor econômico (hoje) quanto de valor acadêmico (sempre).

Mas além dessa contruibuição artística, sabemos bem que o leque artístico é muito maior, pois se pegarmos a definição acadêmica de arte, como vimos, tudo o que nos incita às emoções conscientemente e com alguma proposta, é arte. Dança, música, fotografia, poesia, teatro...e tantos outros substantivos e suas vertentes e subversões que poderíamos nós mesmos criar novas interpretações e conceitos.

A arte pode ser infinita.

Pode?

E você? Também acha que o conceito de arte é amplo assim???

 

Por Márcio "Lázaro" Henrique e Lucas Röttgering

30nov/0916127

Batepapo – TALITA ALVES

Talita Alves

Talita Alves

O NaDiagonal bateu um papo com a simpática Talita Alves, que, para quem não conhece, despontou com a nervosa (no bom sentido da palavra) banda MOTORES,  no programa Rally MTV, projeto da MTVLA e MTV TR3S, de onde saíram vitoriosos.

No batepapo falamos sobre o fim da MOTORES, de seu novo projeto que promete reiventar a Talita de hoje, também entramos no assunto da cena Latino-Americana e como é o envolvimento com as bandas fora do país e sobre integração entre os movimentos artísticos que estão por ai, abaixo segue a entrevista:

A banda

Nadiagonal - Sabemos que a Motores acabou, como foi pra você, depois tanto tempo de convivência?

Talita Alves - No início fiquei um pouco triste, afinal temos amor por este trabalho! Tomamos uma decisão em conjunto, pois cada um estava com projetos paralelos a um tempo. O importante é que a amizade continua e Motores continuará vivo, na nossa história, sempre!

ND - Como foi tocar fora do país, pra outras culturas e publico? Eles são mais exigentes? Como receberam a musica de vocês?

Talita - Foi muito foda! Argentina foi uma experiência incrível. No começo eles estranharam, depois entraram no clima, polgaram e quando cantei em espanhol, aí foi demais!!!

ND - A cena independente latino americana você enxergou como?

Talita - Eles são mais organizados, acho que valorizam mais. O espaço é muito maior e você pode viver disso!

ND - integração de bandas existe lá fora? E com bandas de outros paises há algum preconceito?

Talita - Sim, existe. Preconceito musical, acho que não. O que rola é um pouco de preconceito pessoal, o clássico Brasil X Argentina.rs.

ND - E por aqui, quais foram os desafios mais marcantes?

Talita - Conseguir espaço, com certeza! Mas com a internet e redes de relacionamento é possível driblar isso, que foi o nosso caso. Motores acabou, mas a história e os fans estarão sempre presentes. Tenho muito carinho por todos eles, que sempre apoiaram e nos acompanharam.

A Talita

ND - E seu novo projeto? O que você está trazendo pra nós agora?

Talita - Meu novo projeto começou de um jeito e agora está tomando outra direção, o que me anima muito! Já tenho algumas músicas prontas que fiz em parceria com o Mauro Motoki (Ludov) e posso dizer que é diferente. O Miranda define como Indie, rs. Continuarei gravando, estou fazendo aos poucos sem pressa, vou ao RJ esporádicamente aos finais de semana gravar com o maravilhoso Chico Neves, sou fã dele!

ND - O que você pode falar sobre suas inspirações?

Talita - Nestas composições, falo do que estou sentindo, do que passei, é um trabalho mais pessoal. Me inspiro em algumas cantoras como a Karen O , Ida Maria, Feist. Estou em uma fase onde volto toda a atenção para mim, quero me conhecer mais, quero mudar, estou trocando de pele.

ND - Você tem alguma atividade ou quem sabe um projeto paralelo que não conhecemos ainda?

Talita - Tenho uma produtora de vídeo com mais dois sócios, Avallon Media. Trabalho com novos negócios. Apresento alguns vídeos para web, mas a música é minha vida, esta é minha prioridade, continuar gravando e poder tocar logo por aí.

Na diagonal

ND - Como é seu envolvimento com a arte e a cena independente?

Talita - Amo música, grafite, moda, cinema, animação, livros, pinturas, sempre estou buscando outras formas de inspiração. A cena independente é importantíssima e tem muita coisa boa, muita mesmo! Adoro descobrir bandas novas, escritores novos, assitir curtas e produções independentes, alimenta a alma.

ND - Você acha que na cena independente existe mainstream?

Talita - Acho que não existe mais mainstream. O mercado é outro, quase todos que vivem disso hoje, saíram da cena independente, da internet, do festival, ralaram.

ND - Qual a postura que um artista mais conceituado poderia ter com quem está começando? Essa relação você considera saudável para ambos?

Talita - Dando oportunidade, não existe competição, uma cena musical forte é uma cena unida!

ND - Como você vê a relação da musica com os demais movimentos artísticos, como artes plásticas, teatro, literatura etc..Acha que precisa haver mais integração?

Talita - Acredito que isso já aconteça. Fui a festivais com grafiteiros, no cinema e teatro isso já existe a anos, na moda sempre esteve. Não dá pra separar música de nada!

ND - Como você acha que seu trabalho pode influenciar em outros movimentos artísticos e vice-versa?

Talita - Como forma de inspiração!

ND - Quem você indica para ouvir, ler, ver e quem você acha que podemos ficar de olho por que dali vai sair coisa boa? comente um pouco de cada.

Talita - Para ouvir, Cachorro Grande, adoro! Para ler Mate-me, por favor! Um clássico. Para ver, 2012 e ficar de olho, Ida Maria.

Rapidinhas.

Quais foram suas 3 últimas “twitadas”?

  1. Pra quem não ouviu, ouve aí
  2. Já ouviram Dead Disco? Sensacional!!!!
  3. ops! ENTERLUDE- the killers...piano lindo!

3 momentos:

O nascimento da minha filha, a vitória no Rally e Minha primeira viagem fora do Brasil com 18 anos

Um antes:

Vinho

Um durante:

Bom papo

Um depois:

Boa música

E pra fechar a frase:

“Nos vemos no próximo... ” : ano!

Para a companhar a Talita:

Myspace: myspace.com/talitarock e no twitter: @talitarock

E aguardem novas entrevistas em breve.

By Lucas Rottgering

25nov/091147

A Casa dos artistas…de verdade!

 

Centro de São Paulo, mais precisamente na afamada Av. São João, local de encontros, desencontros e por que não, perseguições. Cenário para trilhas sonoras e poemas, agora, podemos incluir ai também um lugar para falar de arte.

Mais precisamente no número 288 da Av. São João, no centro de São Paulo, a Redbull adentrou pelos corredores e salas de um velho hotel construído em 1918, o Hotel Central, obra de Ramos de Azevedo. Lá instalou sua House of Art, com artistas de diversas nacionalidades apresentando seu repertório selecionado por Lucas Bambozzi e Maria Montero. São dois andares ocupados.

Logo que chegamos à recepção somos informados de que bolsas e mochilas não entram, mas câmeras e celulares são bem vindos! Mas não seguimos em frente,  a exposição começa no salão ao lado, e vamos nós.

O primeiro andar, o de maior impacto visual, ocupa uma grande sala onde as 4 paredes estão ocupadas com grandes painéis e grafismos, inclusive uma instalação de vídeo e uma tevê onde pôde ser visto o making of de uma obra que você só verá no segundo andar. Logo que continuamos chegamos a um novo cômodo, esse, pequeno e ladrilhado, lembram o banheiro e também cenário principal do primeiro filme de  “jogos mortais”. O clima é o mesmo. Mas ali as paredes estão todas preenchidas por textos e mensagens e os materiais utilizados para escrever, jogados ao chão, no centro uma “cabana” feita de materiais diversos com uma bandeira em cima, marca o território do artista. Aqui você pode ver o flickr com fotos.

Fim do primeiro andar.

Voltamos à recepção e então subimos a pequena escadaria que dá acesso ao segundo andar, abre parênteses, no caminho há um grande painel todo resenhado com giz, frases, mensagens e declarações, de curadoria para público, artista para curadoria, público pra artista e assim vai, arrisque seu giz, que são oferecidos em copinhos de plástico debaixo do painel, fecha parênteses. Chegando ao segundo andar temos um mapa com a localização das salas ocupadas onde poderemos desfrutar de mais criações. Há também um lounge comum e sociável, e salas onde os artistas desenvolvem suas peças e workshops.

Por detrás de uma cortina branca temos a primeira das 2 salas disponíveis quando entramos. Nela apenas uma pia, uma janela e almofadas no centro rodeado de um visível sistema de home teather que envolve a sala com uma áudio instalação, a mesma que, no primeiro andar pudemos assistir ao making of. Durante uma hora pode se ouvir o clima e deitado nas almofadas, facilmente você pode se deixar levar e só sair de lá quando a sua consciência voltar, ou não agüentar mais o calor da sala, propósito da obra possivelmente? Ficou bem interessante!

Seguindo o corredor, uma nova cortina, preta, que nos serve de porta para a segunda sala, escura, o oposto da anterior, inclusive pelo clima, aqui o ventilador está ótimo. De frente ao fundo da sala, pedaços geométricos estão pendurados como móbiles, se sobrepondo uns aos outros por toda a parede, na altura dos olhos. Neles esta sendo projetado um vídeo, e um fragmentado passeio turístico  pode ser acompanhado, com visão lateral.

Fim do segundo andar.

Fim da Redbull House of Art para nós, por enquanto, a próxima incursão será à partir do dia 05 de Dezembro quando  entrará novamente em cartaz.

Com um conceito e uma proposta bem interessantes no Brasil, sendo o primeiro país a ser apresentado o projeto, e o deleite de conhecer um hotel clássico vestido com obras contemporâneas são, no mínimo, uma ótima experiência!

 

By Lucas Röttgering

23nov/090

Festival Calango – 3º Dia (01/11)

nevilton @festivalcalango 2009

Nevilton no palco do Festival Calango 2009

O terceiro dia (1º/11) do Festival Calango, diferentemente dos outros dois, foi de graça e na Praça das Bandeiras, um espaço público perto do centro administrativo de Cuiabá, com essas mudanças conseguiu atrair ainda mais público que nas noites anteriores.

A programação musical também estava diferente, bem mais eclética e menos “pesada” que as noites anteriores, ia da MPB do clássico guitarrista Toninho Horta ao Rap do Linha Dura, passando pelo rock-brasileiro do Nevilton e o kraut-rock do Cassim & Barbaria.

No terceiro dia, vimos bandas com muito futuro, como a banda Somero vinda lá de Boa Vista (RR), mostrar seu indie-blues-rock mostrando que o norte é um grande celeiro de revelações, desde Los Porongas, Madame Saatan, que são realidades nesse cenário independente, passando pelo Mini Box Lunar que tocou no segundo dia do Calango chegando à Somero. Conversamos um bom tempo com Vinícius, o vocalista da banda, que contou mais sobre a cena em Boa Vista e fez um panorama geral do norte do país, mais bandas boas à vista (desculpem o trocadilho).

Depois de ser considerada a grande revelação pelos jornalistas presentes, a vocalista e compositora, Maísa, da banda Vitrolas Polifônicas declarou na coletiva de imprensa que a banda iria acabar, pois estava se mudando para BH. Estávamos lá e presenciamos muita emoção por parte dos fãs e dos integrantes da banda. Seu som realmente parecia ter um futuro, no começo da banda era bem blues, mas no momento as composições eram meio “4” do Los Hermanos, ou seja, samba misturado com rock, e muitos acordes dissonantes. Maísa também afirmou que seguirá em carreira-solo, então não custa nada acompanhar essa garota de apenas 18 anos. Caso vá ouvir Vitrolas, tente “É o que me excita”, o “hit” da banda.

Pra variar, o trio Nevilton fez um grande show, desses que você põe no top3 de festival, sem pensar duas vezes. Com um novo baterista, Chapola, eles levantaram o público cuiabano que já vinha quente da apresentação anterior, os Inimitáveis, e puseram todo mundo pra dançar, apesar das loucuras de Nevilton, o cantor-compositor-guitarrista, que mistura David Bowie e Chico Bento, como ele mesmo diz; cita Egberto Gismonti no meio de uma música e mesmo assim é pop, pop pra dançar, pular e cantar junto os refrões grudentos desses paranaenses que tem um talento incrível. Fiquem de olho, dia 5 de dezembro, eles estarão na Livraria da Esquina.

Depois dos paranaenses que não param, veio Cassim & Barbaria, banda totalmente cerebral, com duas baterias, duas guitarras, baixo e sintetizador e efeitos. Com um som calcado nos experimentalismos, um pouco de rock progressivo e no rock mais normal, o Cassim fez um bom show, possível de entender o motivo deles terem feito duas turnês fora do país.

Depois tivemos destaques locais em outros gêneros como Markus Ribas e Ebinho Cardoso, MPB e Jazz, respectivamente.

E assim foi o último dia do Calango, com uma diversidade bem maior de gêneros, uma quantidade de público ainda maior e a qualidade mantida. Em breve, teremos algumas entrevistas sobre cenas independentes e outros assuntos.

E aguardem novidades no site!

By Daniel G0 (@ror_re)

Fotos por Laís Merini

16nov/092

Ser criança ou não ser…

Pessoas, três domingos atrás fui ver uma peça no Centro Cultural Vergueiro (CCSP)chamada "A mulher que matou os peixes", na verdade fui porque era um texto de Clarice Lispector. O engraçado disso é que quando fomos pegar os ingressos, tinha um lembrete dizendo que era uma peça infantil. Eu e a pessoa que me acompanhava meio que pensamos em voltar e desistir do evento, mas logo vimos que de repente seria interessante assistir. Deixar de ver só porque era uma peça infantil?

Então fomos nós, ver a peça.

A "trama" era sobre uma mulher que recebia visitas de animais e vermes em sua casa e que ficavam por um tempo lá. Chegou a receber sapos, coelhos, ratos, baratas, cachorros, entre outros.

A história foi contada de uma maneira bem lúdica e o mais interessante em tudo isso, foi a maneira como esses bichos foram encenados, eles eram guiados como marionetes. O fundo do palco era totalmente escuro e os bichos e as coisas do cenário eram bem coloridas. As vezes a platéia se assustava já que, hora ou outra, eles traziam os bichos grandes, mas sem as pessoas do palco notarem, e quando viam, estava lá um rato gigante na frente das pessoas.

Fico pensando que seria interessante as pessoas assistirem espetáculos assim, por mais que a peça seja curta e trate de coisas que não pensamos normalmente, é bom podermos nos desligar e voltar a uma época que se foi.

Então, você que de repente nunca quis entrar em uma peça infantil, pense antes, de repente ela não é tão infantil assim.

by Márcio "Lázaro" Henrique

11nov/095

Festival Calango – Segunda Noite (31/10)

jonas sá @ festival calango 2009

jonas sá @ festival calango 2009

A segunda noite foi simplesmente incrível, o melhor dos três dias. Chegamos durante o show do Jonas Sá (RJ), sua banda de apoio era o Do Amor (RJ), pudemos perceber a presença de palco e o seu jeito showman de ser, entretendo a platéia com performances. Ao final do show do cantor, a banda de apoio continuou no palco e foi inesperado, já que não estava programado que os cariocas iam tocar; tocaram uma inédita, e várias das suas músicas que misturam ritmos indo do metal ao afoxé, acredite isso não é exagero da nossa parte. Como sempre fazendo um ótimo show e animando a platéia que já estava em um número melhor que na noite anterior.

A banda goiana Black Drawing Chalks mostrou o porquê de estarem falando tanto dela no circuito alternativo; o show deles é simplesmente incrível: muito enérgico e com uma performance fantástica, isso faz com que seja muito melhor que o cd lançado pela Monstro. O hit “My Favorite Way” (disputou a categoria Melhor Clipe no VMB desse ano) foi cantado em massa pelas pessoas que se agrupavam na frente do palco. Estão rodando o Brasil, tocando em diversos festivais.

Após algumas atrações, veio o melhor show do festival. Os meninos do Holger (SP), que estavam fazendo turnê no Canadá até outro dia, foram passar calor em Hell City e esquentaram ainda mais o Centro de Eventos Pantanal. O show começou com eles tocando músicas do EP “The Green Valley”, que foi o primeiro registro da banda paulistana, seguidas por músicas inéditas e com uma pegada Afro-Beat, influências de Fela Kuti. No meio do show, eles já estavam tocando no meio da platéia que delirou com aquilo e agitou ainda mais o show. A impressão que passava é que eles estavam se divertindo tanto quanto o público. Uma frase do Denis, baixista do BDC, resume tudo: “eles são espontâneos e se jogam mesmo”.

Infelizmente, não vai dar pra passar a sensação do show por aqui e não encontramos vídeos, mas assista a um show deles. Entenderá do que estamos falando. Na entrevista coletiva, eles disseram que as músicas do primeiro EP eram “muito brancas” e por isso foram ouvir coisas novas: Rap, Afro-Beat, etc. O som deles fica muito mais divertido e diversificado com essas novas influências.

Depois do furacão Holger, veio a banda que vem sendo apontada pela imprensa como revelação: Mini Box Lunar (AP). A formação da banda é duas vocalistas, baixo, guitarra, bateria e teclados; as influências passam por Mutantes, Júpiter Maçã, grupos bem hippies. Na verdade, o som é bem hippie e o show com muitas maluquices como as vocalistas gritando desordenadamente. Não gostei do show, mas o futuro da banda é promissor, as músicas no myspace são bem boas, só faltam um pouco de pegada. Pretendo ver outro show pra ter uma certeza, mas anotem que pode ser “A próxima grande banda” da cena independente nacional.

Essa foi a segunda noite, teve shows tão bons que ofuscou boa parte da programação. Dessa noite saiu o melhor show do Calango e a melhor das três noites.

by Daniel Go

fotos por Laís Merini

 

9nov/090

Festival Calango – Primeira noite (30/10)

Wander Wildner  no Festival Calango 2009

Wander Wildner no Festival Calango 2009

Chegamos ao Festival Calango no final do show do Venus Voltz (SP), perdemos algumas cenas: como o baixista do Herod Layne (SP) usando uma furadeira pra tocar, o vocalista do Vinil Laranja (PA) vestido de noiva. Mas esse era só o começo da noite que teve grandes bandas. Destaque para as instrumentais: Caldo de Piaba (AC) e O Garfo (CE), a primeira tem um caldeirão de influências que vai de rock clássico ao carimbó, inclusive citando “Isso é Carimbó”, dos onipresentes Do Amor (RJ), que estavam lá como banda de apoio do Jonas Sá; a segunda ganha destaque pelo som mezzo eletrônico, mezzo orgânico, com pitadas de anos 70 e um peso muito maior ao vivo.

Uma das características mais fortes dessa primeira noite foi o peso das bandas, como: Venial (MT), Snorks (MT), Walverdes (RS), Norma (ARG). Além disso, percebe-se que o público gosta mesmo é de “bater cabeça”. Destaque para os gaúchos com um punk rock com letras grudentas, mas que não são melosas. Os argentinos tocaram muito tarde, com isso, não conseguimos assistir com a atenção devida. A noite foi fechada pelo Macaco Bong (MT) tocando em casa, algo que nós não deveríamos ter perdido, mas o cansaço da viagem, as longas horas de pé e o som alto nos fizeram voltar pra casa.

Apesar de toda qualidade mostrada, pelas bandas citadas acima, destaque principal para o rapper Emicida (SP). A cena hip-hop estava em massa no Centro de Convenções Pantanal cantando todas as letras da revelação do rap nacional. O paulistano tem uma presença de palco incrível, é simplesmente impossível ver um show e não prestar atenção nele. O DJ Nyack que acompanha o rapper também faz um grande trabalho nas bases e no backing vocal. Aconselhamos fortemente você a tentar ver um show deles. E mais, ele não apenas canta, mas também tem muito conteúdo e idéias; sua entrevista coletiva durou 20 minutos, passando por temas como: preconceito, cena independente e VMB.

O outro principal destaque da primeira noite foi o hippie-punk-brega-rajeenesh Wander Wildner (RS), normalmente seu show é fantástico e em Cuiabá não foi diferente, com uma seqüência de clássicos: “Bebendo Vinho”, “Tenho uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”, “Lugar do Caralho” do Júpiter Maçã e o clássico gaúcho: “Amigo Punk” da Graforréia Xilarmônica. Os fãs do gaúcho cantaram todas as músicas, por vezes, pareciam em transe, tamanho era o modo como prestavam atenção ou cantavam.

E essa foi a primeira noite: muito boa, mas teríamos mais dois dias pela frente; sendo a próxima noite, simplesmente inesquecível.

Na quarta feirasegunda noite do Festival Calango, até lá!

4nov/090

Panorama Geral – Festival Calango 2009

Emicida, um dos destaques do Festival Calango 2009

Emicida, um dos destaques do Festival Calango 2009

E na geral...

O NaDiagonal foi ao Festival Calango, em Cuiabá, cobrir o que acontece em um dos maiores eventos da cena independente brasileira. Por lá circulam bandas de todo o país e, neste ano estiveram presentes desde o rapper Emicida (SP), passando pelo experiente guitarrista Toninho Horta (MG), a MPB de Lu Bonfim (MT) chegando até ao punk dos Devotos (PE).

As muitas facetas do festival mostram que não é só de bandas que vive um bom festival: com dança (break), grafite, no estilo “live painting”. Entre outras amostras: haviam stands para a divulgação do Software Livre (Ubuntu) , escolas de guitarristas locais e de eventos de design. Espaços para tatuagem, comida vegetariana, vendas de discos e camisetas de bandas completavam as atrações.

Para comer, barracas de lanches (entre eles o Bagucinha que é um sanduíche que vai de tudo), comidas típicas (Maria Izabel), entre outras tradicionais.

O nível de organização e infra-estrutura é fantástico: shows quase sempre pontuais, com duração de 30 minutos, sala de imprensa com ar condicionado (acredite, em Cuiabá todos os locais possuem um, mesmo para eventos noturnos), sala para coletivas,etc. Tudo o que um festival do porte do Calango precisa ter.

A fama de ser um grande evento é real.

O show não pode parar...

Uma das coisas mais surpreendentes são os dois palcos lado a lado, para evitar atrasos. O ritmo é alucinante, acabou um show, não há tempo para respirar, no palco ao lado começa o próximo. Detalhe que os dois palcos são grandes (imagine o tamanho do Centro de Convenções Pantanal, onde foram realizadas as duas primeiras noites e a Praça das Bandeiras, local do último dia).

Com certeza é cansativo para todo mundo, são mais de 8 horas por dia de música boa, calor e muita gente prestigiando.

Trocando informações

A troca de informações é constante, jornalistas importantes para a cena independente estiveram em massa por lá: Bruno Nogueira (Pop Up!), José Flávio Junior (Bravo), Alex Antunes (Rolling Stone, ex-editor da Bizz), Marcelo Costa (Scream & Yell), coletivos de todo o Brasil (Goma, Megafônica, Bigorna, Cubo...) e músicos ativos como Bruno Kayapi (Macaco Bong), o pessoal do Mugo, Facas Voadoras, entre outras.

Pode-se dizer que o Calango é imperdível para quem acompanha o que acontece de mais interessante pelo Brasil. O NaDiagonal aprova e muito essa grande festa cuiabana.

Tentaremos cobrir mais eventos relacionados à cena por onde for possível chegar. E amanhã entra mais material sobre o Festival Calango, dessa vez falando mais especificamente de música: bandas consagradas que continuam consagradas, bandas revelações e muito barulho.

Até daqui a pouco!

Texto por Daniel Go Tanio (danielgt999@gmail.com)

Foto por Laís Merini.